
Faz alguns meses reflito sobre este abandono de Deus ao Filho. Fato tão doloroso que nos faz preferir a consideração de uma figura de linguagem, mas a verdade é que não.
De fato o abandonou, o abandonou e sofreu.
Forçado por sua própria natureza, o Pai que é absolutamente vida e ordem, não poderia jamais estar onde há morte e caos. O totalmente humano, toca totalmente ao Filho. Abandonou-o não porque quisera, se não porque não pôde chegar ali onde é absolutamente humano.
É em Cristo crucificado que o homem é plenamente divinizado, aqui o homem toca o divino, porque o divino se faz humano.
Ainda há que se considerar o salmo cantado pelo povo de Israel, que nos faz imaginar que Deus jamais abandonaria o Filho, ou ao seu povo. Mas a verdade é que sim! Deus abandonou o seu povo, e abandonou ao Filho.
Ao Filho porque foi forçado por sua natureza, ao povo de Israel, porque foi também forçado, pelo próprio povo. Por suas idolatrias, injustiças e desobediências. Deus ali também sofreu, como sofre este sábado de abandono.
Como sofre quando nós o damos as costas e negamos sua companhia.