
Muito se ouve dizer que o franciscano possui uma espécie de vida intrínsecamente associada ao cuidado da casa comum, o que não pode ser visto em absoluto como um erro, porém essa interpretação possui sua grave carência.
Limitar qualquer espiritualidade ao dado absolutamente imanente é anular o objetivo principal da busca pelo transcendente. Pensar somente por essa ótica é vendar os olhos daquele que almeja mirar o céu.
A espiritualidade franciscana, se não clareia o foco principal de louvor ao Altíssimo, se torna um boneco de meia, vazio e fantasioso.
A espiritualidade franciscana é propriamente uma espiritualidade orante, onde o amor ao amado é transbordante naquele que ama, o franciscano. Estás afirmações não negam a relação do homem com a natureza, ao contrário plenifica. Tomás de Aquino, ao falar da necessidade de elementos naturais para os sacramentos, refere-se a incapacidade do homem de ver o transcendente. Assim também o franciscano contempla a criatura, porque com os olhos não consegue ver o criador.
Do transbordamento do amor nesse olhar surge a relação de fraternidade com o cosmos. Chamar de irmão e de irmã todas as criaturas não é limitar apenas a uma relação fraterna, mas sim em uma intimidade enraizada na paternidade divina.
Somos irmãos porque há um Pai que possui governo e potestade sobre cada um de nós. E é exatamente aqui que falha a interpretação ecológica deste franciscanismo: na não clareza da fonte desta fraternidade cósmica.
Ver a natureza com os olhos, é contemplar a Deus com a razão e com o coração.