Fundamentos da hierarquia eclesial

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Um dos capítulos mais longos da Constituição Dogmática Lumen Gentium, o terceiro capítulo apresenta a doutrina hierárquica da Igreja, destacando o episcopado como o Vigário de Cristo entre os fiéis, segundo o desejo do Senhor desde a eleição dos doze, plenamente confirmada em Pentecostes, até o fim dos tempos. Os próprios Bispos transmitem, pela imposição das mãos, a efusão do Espírito Santo aos seus colaboradores y através da consagração episcopal é conferida a plenitude do sacramento da ordem, além do ofício de santificar, ensinar e governar, o que por sua vez só é possível em comunhão com a cabeça e os demais membros do Colégio Episcopal.

História

A eleição dos Doze por Jesus, segundo a sua vontade, remete-nos ao início deste Colégio Episcopal, são eles que, através do testemunho do Jesus histórico e ressuscitado, transmitem a fé da Igreja. O número doze faz clara referência à figura da Igreja no Antigo Testamento e aponta para a escatologia, sob a sucessão apostólica. Desde muito cedo se destacou a importância do episkopos (1Tm 3,1) como aqueles que impõem as mãos uns aos outros e depois transmitem a doutrina. No entanto, sem questionar a autoridade do bispo como chefe de uma determinada igreja, é necessário esclarecer sua identidade sacramental, uma vez que não se nota uma definição objetiva do bispo em referência aos presbíteros e ao Pontífice Romano. Até mesmo a sua relação com o primado que havia sido mencionada no Concílio de Trento, só pôde ser definida no Vaticano I. O Vaticano II também não se manifestou de forma definitiva sobre a sacramentalidade do episcopado, o mais próximo disso é notado na consagração episcopal como a plenitude do sacramento da ordem (cf. LG 21).

Fundamentos Teológicos

Durante este desenvolvimento histórico e como parte dele, os teólogos preocuparam-se com a figura do bispo, especialmente nos primeiros séculos do cristianismo. A Carta de Clemente aos Coríntios expressa o papel do bispo como parte da dinâmica da Revelação, o Pai envia o Filho e o Filho envia os apóstolos para pregar o evangelho. Nesta mesma linha diz Tertuliano: “Ecclesia ab apostolis, apostoli to Christo , Christus para Deo”. Inácio de Antioquia, por sua vez, pede aos cristãos que não façam nada sem comunhão com o bispo.

Magistério 

Dentre os diversos documentos do magistério relativos à hierarquia, destaca-se o Decretum pro Graecis do Concílio de Florença sobre o poder dos bispos, que é mantido pela sucessão divina, conforme consta do Decreto sobre o Sacramento da Ordem do Concílio de Florença.  A Constituição dogmática Pastor aeternus do Concílio Vaticano I trata da comunhão dos bispos, tendo o sucessor de Pedro como princípio e fundamento perpétuo e visível desta unidade, reiterado posteriormente pelo Papa Pio XII na encíclica Mediator Dei.

Reflexões Posteriores

Os resultados das reflexões sobre a hierarquia no Vaticano II foram diversos; destaca-se sobretudo o Sínodo dos Bispos, idealizado pelo Papa Paulo VI, a criação das Conferências Episcopais, encíclicas como Ut unun sint de João Paulo II, que no número 94 fala da comunhão entre os fiéis através do Bispo e dos Pastores Gregis (2003), do mesmo Papa.

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