
Mc 1, 21-28
Depois de haver chamado os primeiros 4 discípulos, os irmãos Andrés e Pedro, Santiago e Juan que deixaram as redes para estar com Cristo. Todos seguiram para Cafarnaum, onde Jesus começou a pregar. As pessoas que o ouviam ficaram maravilhadas, porque ele não falava com base no seu conhecimento, mas com autoridade, até para expulsar demônios, o que fez com que sua fama se espalhasse muito rapidamente, já que Cafarnaum é uma cidade costeira de comércio, pessoas de diferentes países passaram e ouviram falar dos milagres de Jesus. As cidades onde Jesus pregou foram locais estratégicos para a difusão da religião, o mesmo aconteceu depois com os apóstolos.
Ratzinger, ao falar do desenvolvimento do cristianismo nos primeiros séculos, apresenta 3 eixos fundamentais que muito rapidamente fizeram com que a noticia de Cristo se espalhasse.
Primeiro, uma verdade pregada. A cultura da época de Jesus desenvolvia-se sobre bases intelectuais, devido à filosofia grega e outras formas de pensamento. Razão pela qual no início a religião foi confundida por muitos como uma espécie de nova filosofia. Segundo, uma religião que envolve os sentidos. O cristianismo não se limitou apenas à razão, mas tocou o homem de todas as maneiras. Uma religião de amor, de caridade e também de sofrimento. O Cristianismo é visível. Terceiro, os locais onde os eventos aconteceram foram cidades com grandes fluxos culturais, razão pela qual a mensagem se espalhou muito rapidamente. Para Ratzinger, estes três elementos são como os motores que movem qualquer empresa, e é por isso que o cristianismo se deslocou para os cantos mais distantes do mundo.
A respeito deste Evangelho, os Padres da Igreja destacaram, de forma muito particular, as palavras do diabo para com Cristo. A sua confissão “tu es o Santo de Deus” confirma que o Messias se encarnou e que Cristo não é profeta, mas mais que profeta, razão pela qual todos os que presenciaram a cena ficaram assustados.
Deuteronômio 18,15-20
O Messias proclamado pela boca daquele homem possuído é expressão da Nova Aliança com o Povo de Israel. O Reino de Deus chegou sobre a humanidade. Já não se trata mais de um profeta, como dito na primeria leitura. Deus não fala mais pela boca de um homem, mas comunica a si mesmo por meio de Cristo.
As palavras de Deus são durissimas, na primeira leitura. Diz “Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras” proferidas pela boca do profeta, por isso, hoje nos resta questionar se estamos escutando sua Palavra que se encarnou. Se nossas atitudes, ou ao menos o que dizemos, estão de acordo com o Evangelho. E sobretudo o que é viver o Evangelho.
A Regra de vida da familia franciscana é uma das mais belas expressões de fé do cristanismo. Os escritos de São Francisco dizem que a regra é literalmente “viver o Evangelho“. É saber escutar a vontade de Deus e vivê-la no dia a dia, porém isso não limita a um dado meramente subjetivo, pois requer o conhecimento verdadeiro da Palavra encarnada. Quem conhece verdadeiramente a Cristo, quem viveu uma experiência de fé, só pode viver a partir de Cristo. O conhecimento exige uma relação. A partir do momento que se conhece a Deus, não se busca outra coisa se não a ele.
Salmo 94,1-2.6-7.8-9
“Vinde, adoremos, prostremo-nos e choremos diante do Senhor que nos criou” para que tenha piedade de nós e perdoe nossos pecados, pelas vezes que não escutamos a sua voz, mesmo depois da experiência de conhecimento da Palavra.
Santo Agostinho diz que estas lágrimas diante do Senhor servem para purificar de nossos pecados e reconstruir uma vida nova, não com nossas próprias mãos, mas por aquele que nos criou. Porque Ele é verdadeiramente o nosso Deus, nosso pastor.
Profeta, pastor e discípulo são três figuras mencionadas na liturgia de hoje e expressam a relação amorosa do Senhor para com o seu Povo.
A primera leitura nos apresenta a instituição do profetismo. Se antes tinhamos os patriarcas, agora a comunicação divina se dá por meio dos profetas. A função do profeta é anunciar a fidelidade de Deus e denunciar a infidelidade dos homens em relação a Aliança. Como aquele dia, no deserto, em que o coração do povo se fechou a Deus, murmurando por falta de água em Meribá.
A experiência de sofrimento do povo o fez duvidar da presença do Senhor entre eles no monte Horeb, citado na primeira leitura e no salmo, com o nome de Meribá e Massá (cf. Êxodo 17,7). Nesses casos e em outros, como no desterro, o profeta surge como a figura que transmite a mensagem de esperança no Senhor que nunca falha. Como um pastor que conduz sempre o seu rebanho.
Meribá significa “disputa” e Massá “tentação”. Disputa e tentação não são suficientes para romper a fidelidade do pastor para com as suas ovelhas. A pesar da fraqueza humana, o Senhor sempre mantém sua aliança.
No Antigo Testamento, o pastor costuma ser representado por um filho, como foi José ou Davi, fazendo alusão ao Filho de Deus, verdadeiro pastor que conduz seu povo por meio de um convite à conversão e um seguimento ao discipulado, ou seja, a imitar sua vida.
1° Coríntios 7,32-35
Ao falarmos da imitatio Christ não pretendemos criar um modelo único de seguimento de Cristo. O discipulado nao configura um estereótipo determinado. O discípulo evangeliza a partir de sua liberdade, baseado em sua opção fundamental que é Cristo. É obvio que a vida moral do cristão deve ser, em todos os casos, um testemunho de fé, mas não pode se limitar a uma forma mágica.
Nesta segunda leitura, Pablo aconselha que vivamos solteiros para dedicar nosso tempo ao Senhor, mas não o diz em forma de imperativo, tão pouco condena o matrimônio. O que o apóstolo faz é colocar as coisas no seu devido lugar.
O trabalho dedicado exclusivamente a Deus requer de coisas que a vida comum não aporta, mas tão pouco essa vida dedicada somente a Deus é capaz de administrar as tarefas comuns de um lar ou de uma empresa, no entanto a realidade não pode ser uma desculpa para uma vida relaxada.
Aqueles que se dedicam ao Senhor, sejam santos segundo a sua vocação, rezando e aconselhando aos fiéis, administrando os sacramentos e se dedicando ao conhecimento para conduzir o rebanho. Os casados, então, dediquem-se ao testemunho da fé a partir da Igreja Doméstica (cfr. Lumen Gentium 12), cuidado de sua família, dos deveres domésticos e de seus compromissos com a vida social.
Que cada um de nós, dediquemos todos os nossos esforços a viver o chamado que nos foi concedido, a serviço de Deus, da Igreja e de homens.