
O bom de ser Igreja é que em qualquer lugar que você for, nunca será estrangeiro. E por isso podemos amar uma terra, um povo, um lugar que não o nosso. Amar com esse sentimento mesmo de pertença a um grupo, um desejo de que se alcance dignidade e justiça. Isso é próprio de ser Igreja, foi por isso que chegamos longe, porque não temos terra própria, onde pisamos nos adaptamos, fazemos Cristo viver naquela cultura, naqueles rostos.
Em uma carta de um Anônimo escrita a Diogneto se lê que “os cristianos não se difereciam do resto da humanidade, nem por sua localidade, nem por sua fala ou por seus costumes”. Não vivemos em uma cidade própria, estamos em cidades de gregos e bárbaros, segundo nossas realidades e vivemos como vivem todos as pessoas onde estamos, sem ser desse lugar, pois pertecemos a uma realidade celestial. Por isso “todo país extrangeiro é nossa pátria, e toda pátria é extrangeira” para nós.
A pesar de sermos tão parecidos com o mundo e vivermos segundo os costumes do mundo, somos perseguidos por todos, condenados, levados a morte e castigados somente por possuirmos o nome de cristão, mas em tudo isso nos alegramos. E não se trata de romantizar a religião, é apenas fato comprovado. Sabemos do amor de Deus por nós e sabemos da nossa obrigação moral de respeitar, acolher e de amar. Não temos terra, a única coisa que verdadeiramente temos é o amor.
Ser Corpo de Cristo expressa o que é proprio da Cabeça. Ser cristão em terra não natal, é ser um estrangeiro somente em questões cíveis. Fora da realidade social, o cristão transcende a si mesmo e se torna irmão no mundo.
Ser missionário é uma herança da Igreja, é direito de todo batizado, o presente da missão. Esse é o segredo da alegria missionaria, missão não é dever, sim um direito de ser um corpo que imita a ação ad extra da Trinidad. Se somos sempre dispostos a viver fora de nós mesmos, conforme é a Igreja no mundo, a existencia eclesial também só é possivel na medida em que Deus se comunica ao homem por meio da Esposa. A relação Deus-homem é sempre uma saída de si que convida a outras ações externas. O amor que se recebe de Deus, por meio da Igreja, se ofrece ao mundo. Aquele que ama, não pode sentir-se extranho ao amado, por isso o cristão não é estrangeiro fora de sua pátria.
Você nunca levará Cristo se não tiver amor.