
Lucas 24, 35-48
Todo aquele que tem uma relação com Cristo, se torna anuciador de uma Boa Nova, não porque escutou, mas porque viu e viveu uma experiência profunda de renovaçaõ interior. Aqueles dois discipulos que encontraram Jesus no caminho de Emaús já não falavam do Jesus condenado a morte em uma cruz, mas do Cristo ressuscitado, que após experimentar a morte como homem, mostrou sua divindade como Deus.
Ao falar da ressurreição de Jesus aos demais discipulos, aqueles dois que haviam comido do pão que Ele mesmo havia partido, falavam da nova criatura regenerada pelo Verbo Encarnado. A novidade da ressurreição alcança a todos os homens que antes estavam mortos pelo pecado. Ressuscitar é pois, parte da criação do homem.
Ratzinger em seu livro intitulado O espirito da Liturgia apresenta uma relação entre o Pecado Original e a ceia com os Discipulos de Emaús. A morte como causa do pecado, entrou no mundo pela oferta da serpente, feita a duas pessoas que ao comer, caem em desgraça eterna. Em contra deste relato, as duas pessoas sem nome, chamadas de “disicipulos de Emaús”, aceitam a oferta de Cristo e comem do Pão da Vida eterna, oferecido pelo Ressuscitado.
A humanidade tem em si, a ressurreição como fato real, de um homem verdadeiramente ressuscitado em corpo, pois aquele que ressuscitou não é outro se não o mesmo que havia morto na cruz, e também é participante da promessa de Vida Eterna, pelo alimento oferecido pelo próprio Deus.
Deus oferece a si mesmo, como nova condição humana, destinada a ressurreição, como Pão da Vida que transmite a Vida Eterna e como Paz ao dizer “A paz esteja convosco!”. Este saludo de paz é muito comum entre os franciscanos. Quando dizemos Paz e Bem, não estamos nos referindo a uma ausência de guerra ou a um estado de animo pacifico, tão pouco ausência de sofrimento, mas desejamos ao outro o proprio Cristo que é a Paz e o Bem da humanidade.
São Cirilo diz que deveriamos nos envergonhar se prescindimos desta paz que nos oferece o Senhor, pois é ele mesmo se oferecendo a nós. “A paz é um dom e algo doce, que sabemos que provém de Deus, segundo diz o Apóstolo aos Filipenses ‘La paz de Dios’ (Flp 4,7) […] e “Ele é nossa paz” (Ef 2,14). A paz é um bem recomendado a todos, mas observado por poucos. […] A paz procede de Deus, que é quem une tudo, cujo o ser é unidade de sua natureza e de seu estado pacífico. Ele transmite aos anjos, e às potestades do céu, que estão em contante paz com o Senhor e consigo mesmo. Também se extende por todas as criaturas que a desejam. Em nós, subsiste, segundo o espíritu de cada um, por meio da busca e do exerciico das virtudes, segundo o corpo, no equilibrio dos membros e nos elementos de que se forma. O primeiro se chama beleza e o segundo saúde.“
O Papa Francisco, em uma de suas homilía retoma a ideia de Paz franciscana, questionando: “Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu, e que nos transmite? A paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. […] A paz franciscana não é um sentimento piegas. Por favor, este São Francisco não existe! E também não é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmos… Também isto não é franciscano, mas uma ideia que alguns se formaram. A Paz de São Francisco é a paz de Cristo, e encontra-a a quem ‘toma sobre si’ o seu jugo, isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. E este jugo não se pode levar em arrogância, presunção, orgulho, mas apenas com mansidão e humildade de coração.”
Em outras palavras, viver como Cristo, atuar segundo a lei do amor é fazer continuamente a súplica atribuída a São Francisco e que ecoa em nossos corações “Fazei-me, Senhor, instrrumento de vossa Paz”, fazei-me teu instrumento para que possa levar a novidade da ressurreição, como fizeram aqueles discípulos.
Atos 3,13-15.17-19
Também como fizeram todos os demais discípulos, e Pedro, com mais ênfase, depois de Pentecostes. No livro do Atos dos Apóstolos, Pedro se dirige aos judeus, anunciado a ressurreição do Messias, dizendo “O Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus”, não antes de fazer valer as palavras dos profetas que diziam que Cristo haveria de sofrer de todos os modos, nas mãos daqueles mesmos homens a quais Ele salvaria. No passado, no presente e no futuro.
O Catecismo da Igreja Católica, afirma que assim como os judeus, nós também crucificamos ao Senhor e o fazemos sobretodo com nosso atos de pecado, pois conhecemos o relato e o efeito da Cruz e ainda assim optamos por contradizer-lo.
Por isso, as palavras de Pedro, dirigidas aos judeus ecoam em nossa consciência “Arrependei-vos, portanto, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam perdoados”.
Salmo 4
Assim seu rosto brilhará sobre nós e encontraremos em Ele a nossa Paz, pois Cristo é nosso alivio nos momentos de angústias e quem nos dá a felicidade plena, fazendo-nos deitar e tranquilo adormecer.
O Salmo em que lemos nesta liturgia, é um ato de oração e expressa que o diálogo com Deus é também o momento e o lugar onde se encontra a paz. Provavelmente se refere a ocasião em que Davi fugia por causa de Absalão, mas por ter confiança em Deus, podia dormir tranquilo, sem medo da morte. O salmista não nega seu sofrimento ou sua angustia, mas confia plenamente em Deus.
I João 2, 1-5
João, nesta segunda leitura de hoje, repete o convite de Pedro, para que não pequemos, e alerta que se pecamos, devemos lembrar que temos um Defensor que nos libera da culpa pessoal e originaria. Ou seja, Cristo morreu para limpar nossos pecados cometidos e aquele que recebemos por propagação de nossos primeiros pais, não apenas os nossos, mas os pecados do mundo inteiro e sobretodo daqueles que vivem o mandamento de Cristo, que é o amor, a serviço de Deus, da Igreja e dos homens.