
João 18,1-19,42
Um dos maiores questionamentos acerca da vida de Jesus e da Teologia da Graça, está relacionado com o pecado original. Muitos se questionam se Jesus se encarnaria, caso Adão não tivesse cometido o pecado da desobediencia.
Muitos dos grandes santos e teologos se dividem ao momento de buscar uma resposta para isso, por não se tratar de uma afirmação magisterial, a diferença no modo de pensar este problema não resulta error.
Para os Padres Gregos, a ideia de divinização do homem tem grande força na Encarnação do Verbo, assim, Cristo se faz homem para divinizar a humanidade, independentemente do pecado. Para os Padres Latinos, porém, em sua maioria defendem que o Verbo se encarnou exclusivamente para perdoar os pecados da humanidade.
Para a Teologia Franciscana, Cristo se encarnaria independentemente do pecado, pois por amor quis estar junto da criatura. Assim como Deus sempre quis se comunicar aos homens, desde a criação do mundo, assim também a sua Palavra quis encarnar-se para fazer companhia à humanidade.
O criador quer estar com a criatura e o sacrifício da cruz é uma oferta a mais do amor divino.
Para Tomás de Aquino, o sangue derramado no madeiro é uma comprovação do amor transbordante de Jesus para com cada um de nós, não necessário para a salvação, mas eficaz para expressar a grandeza do carinho que Deus tem para a sua criatura. O sangue derramado na circuncisão, por si mesma já era suficiente para redimir toda a humanidade, mas como este amor é transbordante, quis Deus, fazer mais que o necessário, experimentando dores e sofrimentos.
Naquele Jardim, onde seu sentimento de solidão tomou força, Cristo carregou as dores daqueles seus filhos destroçados pelo sentimento de abandono e de esquecimento.
No jardim começou o pecado, também em um jardim começa a obra da redenção. Ao Velho Adão lhe foi oferecido desobedecer, o Novo Adão, porém, por obediência se oferece como sacrifício expiatório.
Ao se dar conta de que se acercavam os soldados, com Judas, Cristo não espera e muito menos foge, mas se aproxima e pergunta: “A quem procuras?“. Aquele que em toda a sua vida, se entrega para pagar a divida daqueles que Ele ama.
Se houvesse sido capturado a força, não veríamos que verdadeiramente nos amou, mas ao entregar-se por cada um de nós, nos fez saber de seu amor, pois se não tivesse se entregado, estaríamos ainda sofrendo os castigos de nossos pecados.
Quando os soldados responderam que buscavam ao Nazareno, Jesus diz “sou eu” e de imediato cairam para trás ao se dar conta de que aquele que diz “sou eu”, é verdadeiramente Filho do grande “Eu sou” (YHW). O esplendor divino de Jesus se manifesta diante dos olhos daqueles soldados, que, se dependesse apenas deles, jamais levariam a Jesus, mas como ele mesmo estava se entregando, o levaram.
A morte do Filho de Deus se deu no dia da preparação da Páscoa, ou seja, a sexta-feira anterior ao primeiro domingo depois da primeira lua cheia do ano judeu. Este dia chamado 14 nisan, era destinado ao sacrificio do cordeiro que seria consumido no Seder. Jesus, sendo o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, é morto também em uma sexta-feira, representando o sacrificio perfeito que se tornara alimento de vida eterna para o novo Povo de Deus.
Isaías 52,13-53,12
Humilhado, diante de todos, Cristo se entregou para os seus. Em sua Via dolorosa ao Calvário, carregou o ódio, as feridas, e a má fama que merecíamos ter carregado. Humilhado, não desistiu nenhum momento de seu projeto de salvação dos homens.
O Quarto Cântico do Servo Sofredor se mostra a nós como uma profecia messiânica. Tão grande foram as feridas de Nosso Senhor, e “tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano“.
Nosso Senhor que é modelo de perfeição humana, do qual todos os homens são imagem e semelhança perde inclusive a imagem de si mesmo, pois não é que Cristo se encarnou em forma humana, se não que a humanidade foi criada segundo a sua imagem e a sua semelhança. Ao não parecer humano, perde inclusive a aparência de si mesmo, perde aparencia de Deus.
“Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos,
não tinha aparência que nos agradasse.
Era desprezado como o último dos mortais,
homem coberto de dores, cheio de sofrimentos;
passando por ele, tapávamos o rosto;
tão desprezível era, não fazíamos caso dele.”
Desprezamos aquele que sofreu por nós, não tendo nenhuma culpa sobre si, carregou a culpa por cada um de nós, mesmo diante da ingratidão que diariamente manifestamos para com Ele.
Salmo 30
Entregou seu Espíritu em uma cruz, o Senhor que baixou da glória para estar com a sua criatura. Assim o receberam.
Nós deveriamos desejar a sua presença, lutar para estar sempre em sua companhia, porém, o odiamos quando estava no meio de nós. Zombavamos de sua majestade, o deixamos esquecido como um morto, Ele porém, jamais desistiu de nós.
Hebreus 4,14-16; 5,7-9
Necessitamos ver-lo glorioso e resuscitado para então acreditar em suas palavras, assim o reconhecemos como Filho de Deus. Não antes que o fizeramos sofrer em nossas mãos. Resta-nos, por nossa ingratidão, esperar por sua misericórdia.