A vida consagrada


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Intitulado “Os Religiosos”, o sexto capítulo da Constituição Apostólica Lumen Gentium trata da Vida Consagrada para se referir aos membros da Igreja não inscritos permanentemente em uma diocese, o termo é apresentado de forma muito ampla, pois pode levar a imaginar que todos os batizados são chamados a professar os conselhos evangélicos.


Além do ponto dedicado às reflexões sobre os votos, o capítulo está dividido em quatro partes que desenvolvem teoricamente a importância da vida consagrada na Igreja, como dedicação total a Deus, vivendo sob uma autoridade eclesial, com estima pelos votos feitos para anunciar o Reino de Deus através da sua vida, de forma perseverante (cf. LG 43-47).


Fundamentos Teológicos


Entre as características que destacam a vida consagrada está o estilo eremítico, cuja figura principal é Santo Antão, Abade (séculos III – IV); a virgindade que expressa a santidade da Esposa de Cristo; a vida apostólica e a prática real dos conselhos evangélicos que há muito tempo são entendidas como um privilégio de alguns, como constatam os escritos de João Crisóstomo e Ambrósio.


Magistério


Dos grupos religiosos que são considerados Vida Consagrada, os padres conciliares dedicaram especial atenção aos Institutos Seculares surgidos nos últimos tempos, conciliando a laicidade, antes vista como privada dos leigos, e a consagração. O surgimento desses movimentos exigiu estatutos legais que aprovassem o novo modo de vida.


O próprio Vaticano II elaborou o decreto Perfectae caritatis dedicado à Vida Religiosa, propondo como ponto essencial da renovação eclesial, o retorno às origens carismáticas das ordens e institutos religiosos, e nos casos em que não se possa notar “uma esperança bem fundamentada de maior florescimento” (PC 21) devido à falta de vocações, membros de ordens ou congregações ingressam em outros institutos religiosos. O documento chama a atenção por não se referir a tratados teológicos ou documentos magistrais, seu fundamento tem forte caráter bíblico.
Posteriormente, o Papa João Paulo II publicou a exortação apostólica Vita Consecrata em 1996, já trazendo os resultados do trabalho conciliar e esclarecimentos sobre a missão da Vida Religiosa no mundo.


Reflexões posteriores


O Concílio Vaticano II promoveu uma forte consciência entre os fiéis sobre as ações do Espírito, em vista da qual os religiosos ofereceram frutos positivos e negativos à Igreja. Nas últimas décadas, notou-se o grande florescimento das expressões da Vida Consagrada, mas ainda não está claro o lugar de muitos dos membros de certos institutos, especialmente dos homens que optam por não receber o sacramento da Ordem, que, exceto os sacramentos , têm uma vida pastoral diferente da dos leigos, nem sequer se comparam à vida apostólica dos diáconos.

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