Cátedra de São Pedro

Para o louvor e glória da Santíssima Trindade.

A festa em que celebramos hoje é de grande importância para todos nós católicos, pela sua forte característica eclesiológica.

Mateus 16,13-19

A passagem evangélica narra o diálogo entre Jesus e seus discípulos, nela se faz ver o segredo messiânico, escondido por Cristo. Sem embargo, não é ele mesmo quem assume ser Filho de Deus, se não Pedro que reconhece que Jesus é o Messias esperado, dizendo: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo“. Esse evangelho possui uma grande polêmica teológica, não apenas entre católicos e protestantes, como entre os mesmo teólogos católicos que não são unânimes ao momento de definir a teologia das palavras de Jesus a Pedro.

Feliz es tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja“.

Estas palavras exigem muito cuidado, devido ao problema proposto por Lutero com influência de seu fundador, Santo Agostinho. Segundo eles, a pedra a qual Jesus se refere é a ele mesmo, nesse sentido, quando Cristo fala da pedra aponta para si mesmo, pois é a “pedra angular que os pedreiros rejeitaram“, ambos vêem uma ligação entre a passagem da pedra angular e o Evangelho que lemos nessa festa de hoje.

Orígenes, apresenta uma reflexão dessa passagem, que parece mais se distante da intenção do autor do Evangelho ou de Jesus, pois para ele essa pedra se trata de todos os fiéis que creem em Cristo. Interpretação que não convence com facilidade.

São João Crisóstomo, por sua vez, apresenta uma belíssima interpretação a partir do mesmo texto bíblico, sem precisar de uma conexão entre outras passagens. O santo diz que a pedra dita por Jesus é a confissão messiânica que Pedro havia feito, ou seja, a pedra que construirá a Igreja de Cristo é o reconhecimento de que ele é “o Messias, o Filho do Deus vivo“.

O Magistério, tomou como interpretação oficial, aquilo que foi dito por São Jerônimo: esta pedra é Pedro, o único discípulo que Jesus mudou o nome e o primeiro Papa da Igreja de Cristo. A interpretação faz todo sentido pelo mesmo significado do nome de Pedro: pedra. Assim, o fato de Pedro ser o único discípulo a ter o nome mudado, ganha uma significação eclesiológica.

O número 552 do Catecismo da Igreja Católica afirma que Cristo é a “pedra vivo” e acrescenta que a Igreja foi edificada sobre Pedro, pois graças à sua fé, permanece o rochedo inabalável da Igreja. A justificação para essa interpretação encontramos no número seguinte (553): O “poder das chaves” designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja.  

Ratzinger, em “Jesus de Nazaré” utiliza as teologias de  São Jerônimo e a de São Crisóstomo, como verdadeiras para afirmar que Pedro foi o primeiro Papa da Igreja e modelo de humildade e conversão. A teoria de que a pedra se refere tanto a Pedro, como a sua confissão de fé, defendida por Ratzinger, é também o mesmo pensamento de Boaventura e Tomás de Aquino.

Primeira Carta de São Pedro 5,1-4

De fato o que temos como indubitável, é a autoridade de Pedro, entre os discípulos. Quanto a isso não existe interpretação, ja que a Escritura apresenta um sem fim de relatos em que o discípulo toma a primeira atitude, sinalizando que tinha autoridade entre os demais. O pedido do proprio Cristo também deixa claro que Pedro tem uma função específica na Igreja. 

Na primeira leitura, encontramos um texto que explicita essa autoridade de Pedro. A carta foi escrita por ele, de Roma para outras igrejas que estavam espalhadas em outras regiões. Sua exortação aos presbíteros, como ele, o coloca em uma posição de pastoreio, ainda que também se defina como um outro pastor. 

O fato de haver visto o sofrimento de Cristo e também levar na sua carne o peso de ser cristão em um período de perseguição ao cristianismo, parece lhe pôr uma certa autonomía pastoral para conduzir o rebanho.

Neste relato bíblico Pedro dá continuidade ao mandato de Cristo. Assim como Jesus pediu que ele apascentasse o rebanho, ele exorta aos demais presbíteros para que sejam fieis nesta mesma missão.

Há uma ideia muito clara do pensamento hierárquico de Pedro, segundo ele, a função do pastor é a de guiar por meio de uma ação pastoral amorosa. Na carta, o santo apresenta esta perspectiva atraves da triple dualidade: coação/generosidade; ganância/liberdade; dominação/modelo. Cristo é o perfeito pastor generoso, livre e modelo a ser imitado.

O posto de destaque daqueles que conduzem o rebanho é uma contradição social, pois diferente de esquemas políticos ideológicos, a figura que lidera está a serviço do povo e não o contrário. A imitação de Cristo impede que exista coação, ganância ou dominação, pois o seguimento evangélico conduz sempre à generosidade, à liberdade e à mesma imitação de Cristo.

Sl 22 (23),1-3a. 3b-4. 5. 6

O pastor ou lider de hoje, deve sempre ser um reflexo do Cristo amoroso, nunca um tirano, pois somente assim a alma pode ser conduzida por senderos de justiça. A função essencial daquele que conduz o rebanho é transmitir confiança para que se possa alcançar uma meta desejada. O pastor que não transmite confiança ou é extranho ao seu rebanho, não pode levar as ovelhas por caminhos mais seguros e diante de um vale tenebroso, pois tende sempre a impedir o caminhar do rebanho.

O pastor é aquele em que toda ovelha sabe que, mesmo em momentos difíceis, pode confiar, pois é capaz de deixar as noventa e nove para resgatar a única que ficou para trás.

Pedro, mesmo a pesar de seus pecados, de suas fragilidades, inseguranças e medos foi este pastor em que o próprio Cristo confiou a missão de apascentar as ovelhas, porque viu no díscipulo, não um homem forte ou demasiado convicto de suas decisões, mas um homem que amava e por este amor pôde coduzir a Igreja de Cristo em momentos de grandes dificuldades, quando tudo parecia apenas uma suposição, em que nós podemos confirmar com nossos próprios, que sim, fez um excelente trabalho.

Agora resta a cada um de nós, conduzir, segundo nosso estado de vida e a missão específica que temos, o rebanho do Senhor. Para isso devemos estár sempre dispostos a servir a Deus, a Igreja e aos homens.

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