Ou santos, ou nada.

Neste pequeno artigo você lê um resumo crítico do quinto capítulo da Lumen Gentium.

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No Concílio Vaticano II, o tema da Vocação Universal à Santidade assumiu um significado ontológico ao Cristianismo, dado que independentemente do estado de vida dos batizados, todos somos chamados à mesma perfeição, não apenas sacerdotes ou religiosos, mas também os leigos que partilham a mesma dignidade cristã (cf. LG 41).

História

As reflexões sobre a santidade não provocaram muitos conflitos teóricos divergentes, na história da Igreja, provavelmente devido à forte influência de outras culturas religiosas. O Antigo Testamento, por exemplo, já apresentava os santos como aqueles que estavam separados. O desejo pela perfeição não é alheia aos anseios dos homens. Os helênicos buscavam a ataraxia, a eudaimonia e a metanoia porque acreditavam que eram os fundamentos da perfeição.

O grande problema surge quando se trata de distinguir entre santidade objetiva e santidade moral, que só encontra sentido através da reflexão indutiva, a partir do sujeito batizado como constituinte essencial da Igreja. A santidade moral, referente à experiência pessoal dos cristãos, não tem força capaz de manchar a pureza da Igreja, pois a sua santidade é de natureza divina, e não da sua constituição temporal. A Igreja é santa porque encontra o seu fundamento na Trindade, santificada por Cristo no Espírito. A grande questão referente à santidade dos homens é apresentada como um problema somente a partir da Reforma Protestante, pois segundo Lutero o homem é completamente pecador. O jansenismo também tem sua colaboração nessa controvérsia, para tal doutrina é impossível ao homem tomar decisões pessoais no sentido do bem ou do mal, somos, portanto, uma espécie de brinquedo de forças externas, ou seja, incapazes de buscar a santidade.

Fundamento teológico 

Contudo, a santidade moral é evidente desde os primeiros séculos da Igreja, especialmente através do testemunho dos mártires. Quando se trata de falar sobre a santidade da Igreja, a posição ideal sobre o problema pressupõe o uso de termos específicos, pois a sua própria reflexão exige a sua oposição moral. Ou seja, se o pecado e a Igreja podem estar relacionados, este pecado deve ser considerado na Igreja, mas não como parte da sua essência. Se não for assim, cometemos o mesmo erro donatista, que pretendia conceber a Igreja como possível apenas a partir da pureza dos seus membros.

Algumas expressões teológicas confirmam a distinção entre “pecado na igreja” e “da igreja”. O Cântico dos Cânticos, por exemplo, diz “Sou negro mas bonito” de Orígenes; Ecclesia peccatrix de Hilário de Poitiers; Casta meretrix de Santo Ambrósio e ecclesia mista/corpus mixtum de Santo Agostinho são argumentos que defendem tal posição. Na tentativa de definir a distinção entre a santidade da Igreja e a santidade moral, o Magistério medieval coloca o pecado nos indivíduos, como se verá mais tarde em Journet, Congar e Rahner. Finalmente, mais perto dos dias de hoje, João Paulo II colocou o peso do pecado dos homens também sobre a Igreja, embora esta não o tenha cometido.

Magistério 

Da mesma forma, o Magistério não possui um grande número de documentos sobre a santidade dos batizados, embora não haja dúvidas sobre o chamado à perfeição, que é o que afirmam diversas encíclicas como Rerum omnium (1923), Casti connubii ( 1930) e Ad catholici sacerdotii em que Pio XI expressa a exigência do santo testemunho dos sacerdotes.

Reflexões posteriores 

O diálogo e o desejo de santidade são temas que atualmente se faz notar entre os fieis, porém também se percebe entre eles um rigor excessivo, fruto de uma reflexão anacrônica sobre a espiritualidade e uma falta de formação por parte dos ministros ordenados, ensinados a pastorear.

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