Sinodalidade Simbólica

Vivemos em um momento de tensão entre dois polos que se afirmam portadores da verdade, letra e  espirito do tempo lutam como se fora impossível uma reconciliação, no meio, um bocado de fiéis perdidos sem saber o que fazer ou que caminho trilhar, pois os pastores conduzem ovelhas por caminhos distintos. 

É normal que vivamos nesse coflito tradicional pós-concílio. Não imagine que da noite para o dia se pôde chegar à conclusão de que Cristo é realmente Deus, ou que Maria é a Mãe de Deus, ou que são sete os sacramentos, pelo simples fato de um concílio haver afirmado tal doutrina.

Todos os concílios geram conflitos teológicos e magisteriais a resolver. Por isso vivemos nessa confusão de ideias que põem em dúvida a validade ou utilidade da assembléia contra a posição, muitas vezes cega, de que o concílio é o que é e não se pode discutir. Tudo isso gera uma discussão, um dia posta em mesa para Ratzinger: o Vaticano II é uma ruptura con estruturas anteriores ou continuidad? Ao que, sem dúvida, o então Papa respondeu, o Vaticano II é continuidade.

Precisamos ver o Concílio a partir de uma hermenêutica de continuidade, olhando para o presente como fruto de uma história.

Sem embargo, em meio a tantos discursos sobre a sinodalidade, devemos fazer uma pergunta que deveria haver sido muito clara, desde os muitos séculos da história da Igreja. 

É verdade que “sinodalidade” não expressa uma novidade, pois os Santos Padres ja comentavam sobre o tema. Agostinho dizia aos seus fiéis “para vocês eu sou pastor, com vocês eu sou ovelha“. Afinal, o que é sinodalidade? Quais são as linhas que delimitam o exercício próprio dos leigos em relação aos presbíteros? O que pode ser feito por ambos e o que deve ser feito por apenas uma espécie de fiel? 

Apesar de ser uma idéia tão antiga como a história, é inegável que nos falta compreensão a respeito do que seja a sinodalidade, porém, é certo que não se trata de um mero evento simbólico. A sinodalidade de fato deve existir, não em discursos ideológicos em contra de…, se não que uma ação de amor a favor de…

De forma alguma, sinodalidade deve ser confundida com liturgia, o que infelizmente acontece, ao ponto de chegarmos ao ridículo. Não se trata de procissões com mezclas culturais, espaço litúrgico para mulheres ou etc, tudo isso é apenas símbolo diante da beleza da sinodalidade. Caminhar de mãos dadas, é de fato andar juntos, não apenas na igreja, mas no mundo, para a construção do Reino. Infelizmente a experiência tem nos mostrado que onde há muita falação, há pouca ação. Onde o abuso litúrgico é confundido com sinodalidade, a administração de setores eclesiais são uma clara ditadura clerical. 

Há que levar ainda em consideração, o chamado à vocação universal. Quantos bons médicos, professores, engenheiros, agricultores, e todos os outros trabalhadores estão perdendo a beleza da vida secular em vista de uma mais ativa participação  eclesial? Não se pode confundir e nem jogar com a vocação. O cristão é para o mundo, afinal uma vela não faz sentido onde há muita luz. É preciso lutar pelo espaço do leigo, ainda quando esse espaço é fora da Igreja. Será se não estamos confundindo “dar espaço para o leigo” com “dar conforto para os consagrados”? Pois aqui entra outra questão: o que faz o clero? Uma coisa é certa, não podem ser apenas ministros de sacramento, afinal todo consagrado é também rebanho com o povo. Precisamos de muito esforço para entender, fazer e viver uma verdadeira sinodalidade.

Que o Espírito Santo nos conduza pelo caminho da verdade.

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