O leigo na Igreja

Comentário do quarto capítulo da Lumen Gentium

Conteúdo 

Os leigos, tal como os sacerdotes, são destaques, de acordo com o seu estado de vida, nas reflexões conciliares, como apresentado no quarto capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium, sua função é essencial para a ação missionária da Igreja. Nos capítulos anteriores já se fazia menção do laicato em alguns pontos isolados, seja na existência de uma igreja doméstica (cf. LG 11), seja no serviço do ministro ordenado em relação aos leigos.

História 

O problema a respeito do leigo começa com questões terminológicas no contexto do Novo Testamento. Os textos não utilizam termos exclusivos para leigos; estes foram incluídos entre os kleros, vinculados aos membros ordenados ou não, a mudança terminológica foi configurada apenas para os ministros. O termo laikós foi apresentado pela primeira vez no século II por Clemente de Alexandria, mas podendo se enquadrar na distinção que a Tradição Apostólica confere entre bispos, presbíteros, diáconos e outros fiéis, o que levou ao binômio clero-leigo nos séculos seguintes,  conotando uma ideia de superioridade social dos clérigos, na tentativa de salvaguardar a  estrutura hierárquica da Igreja.

Fundamentos Teológicos 

No século XX, o Papa Pio X deu ainda mais força ao problema do binômio na encíclica Vehementer nos, de 1906, dizendo que a Igreja é desigual por natureza. Contudo, neste mesmo século foi notável o desenvolvimento de uma teologia diferente, tendo o laicato como eixo de suas reflexões. O  principal objetivo desta teologia era associar a ação laical à missão da Igreja. Os frutos da Teologia dos Leigos não demoraram a obter resultados, a Ação Católica alcança neste período uma grande notoriedade, mas a dualidade ainda não tinha sido resolvida, uma vez que a esfera secular foi colocada quase exclusivamente aos leigos. Nesta realidade desenvolveram-se as reflexões do Concílio Vaticano II, mesmo com os mesmos problemas terminológicos a resolver.

Magistério 

Ao longo da história, as reflexões magisteriais sobre os leigos são escassas. Seu desenvolvimento teológico ganhou força apenas no século XX, não pelo Magistério. A encíclica Quadragesimo anno (1931) de Pio XI menciona os leigos como aqueles que vão onde os ministros não podem estar, nela ainda parece que a sua missão na Igreja está em função dos ministros ordenados.

Reflexões posteriores

No entanto, mesmo com as deficiências teóricas os leigos assumiram um papel significativo na missão da Igreja nas últimas décadas. O Sínodo dos Bispos de 1988, sobre os leigos, é a primeira das reflexões pós-conciliares. Neste encontro foram notadas algumas tendências como o desuso do termo leigo, a mudança do binômio clero-leigo para comunidade-ministério ou a utilização do leigo como membro batizado da Igreja, sem necessidade de acrescentar outros adjetivos ou funções, já que o Batismo é a expressão essencial do cristão. Depois, em 1988, a exortação apostólica Christifidelis laici ecoa fortemente o sacerdócio comum dos batizados. Finalmente, o Sínodo sobre a Sinodalidade vivido nos últimos meses chama a atenção para a necessidade de ouvir todos os fiéis, especialmente os leigos.

Deixe um comentário