Perfeição imperfeita

Algumas almas mortas, desanimadas e anêmicas são presas fáceis para o diabo, porque não pecam por ação, mas por omissão. Alguns cristãos são tão bonzinhos que não matam mosca em nome da caridade, não dizem palavras feias em nome da modéstia, não discutem por desejo de paz. São almas tão frouxas que não se animam nem para pecar. A prática das virtudes lhes parece um manjar, a cada dia se faz uma boa ação, esses cristãos não dormem em paz antes de fazer uma boa obra. Eu diria ser uma vida insossa, sem guerra, em um contínuo desânimo considerado como paz.

Mas nem tudo é tão perfeito, ou tudo lhe parece tão perfeito que o imperfeito se disfarça nessa perfeição. 

Há momentos em que, para esse tipo de alma, a caridade é como brindar um espumante com o diabo. 

Muitos homens e mulheres caem na ilusão da santidade, e quase sempre é a via social que lhes leva ao fundo do poço. 

Almas tão piedosas que dão a alma para um estranho, concedem-lhes o próprio pão, sofrem todas as cruzes do outro com muito prazer em servir, e se entristecem se um dia não encontram alguém sofrido para consolar.

No entanto, entre o círculo de pessoas mais próximas, não é capaz de mover-se a nenhum tipo de ação, nem boa ou má.

A caridade é prazerosa, boa, e nobre quando feita a um estranho, mas é uma cruz, um corte certeiro no próprio peito, quando é a quem se odeia ou não se pode suportar. Não é o mesmo beijar a um mendigo, que sorrir para quem nos ofende. Não basta perdoar, é preciso amar o inimigo, o simples prazer de uma obra, só poderia ser válido se não houvesse nenhuma possibilidade de agir bem e com o peso da cruz.

A vida monótona de uma alma “pacificada” precisa ser revisada, agitada, destruída, para alcançar degraus maiores de perfeição. Uma alma em pausa foi esquecida pelo diabo, por que não lhe preocupa a certeza da estagnação espiritual.

É hora de despertar a atenção! Para que servem obras de caridade, rosários, paz, tranquilidade e pureza? A prática das virtudes não forjam heróis, abrem os olhos para a realidade. O verdadeiro santo não se põem no pedestal da santidade, tão pouco confia em suas mesmas obras. Diz como Paulo “quando penso em fazer o bem, ja fiz o mal” e sabe que se faz o bem, é por graça divina.

A prática de boas ações nem sempre é um bem, e pode levar ao inferno também. Todas as ações precisam ser revisadas, pois se o bem que você faz, não faz a todos, é interesse ou tentativa de suborno espiritual. Ao progresso, o melhor caminho é sempre o mais árduo.

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