
Lucas 2,22-40
Para a honra e gloria da Santissima Trindade.
A festa da Apresentação do Senhor está ligada com as celebrações do nascimento de Jesus e as leis de Moisés.
A Familia de Nazaré era judia, e vivia segundo os costumes dos judeus, por isso, aos 8 dias de nascimento Jesus foi circuncidado, como todo varão judeu. O dia da circuncisão é conhecido como brit milah. Segundo São Tomas de Aquino, o sangue da circuncisão de Cristo seria o suficiente para a remissao de todos os pecados da humanidade, porém, Cristo quis fazer tudo em abundância, pois onde abundou o pecado, superabunda a graça.
O segundo rito de iniciação, relacionado à infância, se dá depois de um período de 31 dias, em que se celebra a Pidyon haben apresentando o recém nascido varão no templo e fazendo uma oferta no lugar do primogênito, que segundo a tradição deveria ser entregue para os serviços do templo.
A brit milah faz referência ao nascimento de Isaac, filho de Abraão e a Pydion haben se refere à aliança entre Deus e o Povo, após a última praga do Egito, que matou todos os primogênitos egípcios, por isso se diz que “todo primogênito deve ser consagrado ao Senhor“.
No evangelho da festa da Apresentação do Senhor encontramos um rito distinto destes dois citados. A apresentação no templo não era uma obrigação, sem embargo o brit milah e a Pydion haben sim, isso significa que a Vontade Divina decidiu que Cristo faria além do necessário para a salvação dos homens.
De igual modo a purificação, 40 dias após o parto, não era necessário a Maria, porque não tinha nada a ser purificado. A Sagrada Familia fez tudo o que estava prescrito na lei e ultrapassou as regras, para comunicar a salvação, afinal, a mesma morte de Cristo para o perdão dos pecado, é infinitamente superior ao que devíamos.
A circuncisão tão pouco foi necessária a Cristo, pois não havia nada a ser purificado ou redimido nele, sem embargo, fez por cada um de nós.
São Beda, diz que a circuncisão de Jesus deve ser um ensinamento, para que nós cortemos nossas relações com o pecado, pois somente aquele que não tem pecado, é digno de ser apresentado diante de Deus.
Segundo uma tradição, ao rezarmos o quarto mistério gozoso, que é justamente, a Apresentação do Senhor no templo e a purificação de Maria, suplicamos a pureza de corpo e alma, para que nos assemelhemos a Virgem Maria e ao Nosso Senhor.
Outro ponto interessante sobre o Evangelho, refere-se ao fato de que a família de Nazaré foi a Jerusalém. Isso se deu porque Jerusalém é a capital religiosa e política dos judeus, desde os tempos do rei Josias (640-609 a.C.), após haver descoberto un rolo perdido com os mandamentos da lei de Deus, por volta de 622 a.C. A descoberta fez com que esse rei centralizasse o culto somente em um lugar, tanto para evitar a idolatria, aos deuses de outra cultura, como por questões politico-financeiras. Por isso José e Maria tiveram que ir a Jerusalém para apresentar o Menino que o mundo esperava.
Malaquias 3,1-4
Simão é a figura que conecta o Novo ao Antigo Testamento, sua espera pelo Messias expressa o sentimento de todo o povo de Israel, como vemos na primeira leitura.
O profeta Malaquias descreve a chegada de um mensageiro que preparará o caminho do Senhor.
Adentremos na mentalidade do povo de Israel:
As vezes é dificil entender a maneira em que Deus se manifesta aos homens, sobretudo se olharmos apenas com a lógica humana, como faziam os israelitas citados nesta passagem bíblica. O grande questionamento é “Como pode uma pessoa má ser tão próspera, quando os justos sofrem perseguições, calúnias, pobreza e muitos outros males?” Diante dessa realidade, a impressão que o povo tem é a de que Deus aprova a maldade e não lhe agrada tanto a justiça.
Então, o profeta responde com a mesma esperança messiânica que nutria a fé do Simeão.
O Dia do Senhor virá e com ele vem uma renovação, uma Nova Aliança acompanha a chegada do Messias que vem para purificar o homem velho e renovar todas as criaturas.
Malaquias diz que aqueles que serão purificados com a chegada do Messias, serão os que poderão apresentar ao Senhor uma oblação legítima. Ou seja, as práticas anteriores foram renovadas por meio do Menino apresentado no Templo de Jerusalém. Em Jesus se manifesta a Nova Aliança, a Nova Lei que conduz o Povo de Deus. A norma de vida não é mais a letra, mas uma pessoa divina que se encarnou. Por isso cremos em uma Palavra que se fez carne e habitou no meio de nós.
Sl 23(24),7.8.9.10
Ao ver o Menino esperado por todas as gerações, a Simeão não existe outra possibilidade, se não a de proclamar como o salmista “Ó portas, levantai vossos frontões! Elevai-vos bem mais alto, antigas portas” porque a pequena porta que existia não é suficiente para suportar a perfeita comunicação de Deus aos homens. Levantai o mais alto possível para que o “Rei da glória, possa entrar“.
A cada um de nós é pedido: “Abra o vosso coração!”, “Dilatai”, deixai todo espaço exclusivamente para Deus. Arrancai, do interior humano, todo ódio, todo rancor, vaidade e paixões, para que o Rei da glória possa entrar e fazer morada, porque a sua promessa se realizará!
O Dia do Senhor chegou para renovar o coração dos homens, fazer com que o velho homem pecador, seja restaurado e viva na santidade.
Hebreus 2,14-18
Com a chegada do Messias, o homem é livre do pecado, porque não apareceu com um anjo, pois eles não necessitavam de remissão. Nasceu como homem, participando da mesma condição, para divinizar a humanidade.
A morte já não tem poder sobre o homem, já não é o fim de uma história, mas um intervalo entre duas realidades, a temporal e a eterna, porque aquele que estava na eternidade, rompeu as estruturas lógicas do tempo e conectou o aqui e o agora ao para sempre.
A encarnação e morte de Deus representa a divinizacao da humanidade, o homem deixa de ser apenas uma criatura e se torna filho pelo Filho.
Cristo é a bússola que conduz a humanidade, mas não basta somente isso para que alcancemos a perfeição. Sua encarnação e morte só podem frutificar na vida de quem responde com seu sim a Deus.
O homem é colaborador da graça divina na sua própria vida. A salvação exige o seguimento de Cristo, que implica batismo, vida sacrametal, conhecimento da doutrina, prática de virtudes e amor filial para com a Virgem Maria.
Não basta que o Menino seja apresentado, é preciso desejar-lo como Simeão e na vida cotidiana imitar-lo, a serviço de Deus, da Igreja e dos homens.