A razão da fé

O argumento mais utilizado pelos protestantes, e por sinal o de menor instrução, é insistir em uma Igreja Católica criada em sua própria imaginação. É nessa igreja que se encontra o pecado mais abominável do mundo, a adoração de imagens, que cotradiz o decálogo. O fanatismo religioso que transforma a fé em alienação não lhes permite usar a razão.

Sem a razão a religião se torna uma coisa sem noção. Sem lógica alguma, se apresenta um deus esquizofrénico, “criador de um mal que duvída da verdade, a razão”.

Não sabem que o deus que existe fora da razão, é apenas mito, como algo que não pode ser conhecido. Não diferenciam a cognoscibilidade de sua incompreensibilidade. De fato o homem jamais poderá compreender a Deus, mas o conhece porque Deus mesmo quer ser conhecido pelo homem. Por isso, falou pelos patriarcas e profetas, e se encarnou para que o transcedente se fizesse sensível, conocido aos olhos humanos.

Deus se faz conhecido também por meio da razão. A Escritura não é Deus, faz parte dessa comunicação que se dá aos homens. É palavra divina e humana, Deus inspira a homens livres para escrever. E eles escrevem segundo sua própria psicologia, por isso é preciso levar em consideração o tempo, o autor e sua intenção.

O deus criado pela ignorancia nada mais é que o ídolo de um grande punhado de pessoas que se proliferam como vírus pela sociedade. Seu crescimento é idêntico ao pecado, que amarra o homem aos puros sentidos e sentimentalismos, levando-os aos nublar da razão.

Suas emoções são os condutores de um caminho à verdade. De mãos dadas, confiam chegar ao paraiso prometido e, quem sabe, chegarão por via da ignorancia não culpada, quanto a isso não se debe duvidar. Embora não se possa negar seus errores.

Aos que buscam a Verdade por via da razão, não resta outra coisa, se não buscar sem desistir, pois sua luz é tão aprisionante como a liberdade. De fato, o homem livre não aceita outra coisa que não seja a liberdade, assim aquele que conhece não pode ser salvado por outra coisa que não seja o conhecimento. Mas o que se conhece?

Há caminhos que parecem racionais, mas são nublados pela força do subjetivismo. Os digo em recordação de um certo homem, enquanto estavamos, os frades, a espera de um ônibus, que se acercou para questionar as bênçãos mencionadas por Fiducia Supplicans. Ele não duvidava do poder de uma bênção sacerdotal, ao contrário, sua crença estava para além da razão, quem sabe em um ato de magía sacerdotal. Tive que suspender minha posição sobre o fenômeno do documento, para focar somente na questão da bênção ao que ele chamava de pecador. Ignoro a questão social, por se tratar de um outro tema.

Se declarava um estudante, sem religião, mas sua aversão à Igreja Católica expressava seu protestantismo, ao menos por ideología. Ele se equivocava ao acreditar que o pecado é maior que a pessoa e por esse motivo não podia receber nenhuma bênção, de igual modo foi equívoco em considerar que o ministro tem potestade sobre a graça, por isso deveria negarse a abençoar. Seus argumentos se basavam no uso da consciencia para definir a pessoa apta a receber ou não.

Felizmente nenhum pecado é maior que a pessoa, se assim fora, nenhum pecador, de nenhuma especie de pecado, poderia receber alguma bênção. O problema, creio eu, está na consciência de si mesmo, pois quando tomo consciência dos meus pecados, me dou conta de que não mereço as graças divinas que tenho recebido. Eu sou pessoa, você é pessoa, o outro é pessoa. Não somos os pecados que cometemos, nem eu, nem você e nem o outro. Somos peregrinos em caminho, somos comunidade.

A consideração do meu pecado e do meu ser pessoa, me faz ver o outro como igual, pessoa pecadora e dar-lhe a bênção não significa estar de acordo com seu pecado, mas confiar que a ação divina é capaz, e é, de cambiar o homem por completo. A bênção, por não ser humana, é dada na medida e na circustância em que deseja Deus, nem todo abençoado recebe as graças de uma bênção, recebe na medida e na circustância em que é útil para sua alma. 

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