Como você matou Abel?

Quantas vezes você rompeu o quinto mandamento?

Talvez a pergunta pareça demasiado pesada, mas certamente,  falar das vezes em que você matou alguém possa ser mais doloroso. De fato, você matou alguém? Provavelmente sim, se levarmos em consideração que a pessoa humana é formada de elementos corporais, espirituais e psicológicos.

Cuantas palavras foram ditas para ferir o outro psicologica ou socialmente? 

Os membros da Religião do Amor, ou seja, os cristãos, quero dizer: nós, colecionamos vítimas em nossa lista de mortos. Talvez seria menos aterrorizante se matássemos apenas pelo desejo de ver o mal do outro, mas interiormente clamamos a morte de inocentes pelo que pensamos ser o maior bem de todos, a super valorização do ego. Mata-se com calúnias, fofocas e mentiras sempre que o assassino se considera superior a vítima.

Afirmar os fracassos alheios, aumentar seus defeitos, esconder as virtudes dos outros é questão de honra para nossa estima pessoal. Fazemos porque dependemos da aprovação do ouvinte, queremos ter para nós mesmos a sua atenção. Interiormente gritamos: “aplaudem-me, aplaudem-me”. Sentados sobre o trono egoísta que montamos com a reputação, o bem estar psicológico e a saúde espiritual de nossas vítimas.

Nos tornamos como Caim, o invejoso fratricida, orgulhoso e prepotente. De fato, se Deus nos perguntara “Onde está teu irmão?” Que diríamos? Quem sabe responderiamos “está ali”, ou “não sei”, talvez pudessemos ser pior. Para mostrar a Deus um certo interesse, diríamos “vou procurar”, e voltariamos dizendo “não o encontrei”, porquê nosso coração estaria triste de saber que Deus  buscava ao outro e não a nós. 

Mas como, o mal nunca parece suficiente, poderíamos ser a imagem perfeita de Caim e dizer que não sabemos onde está o nosso irmão. Escondemos o outro dos olhos de Deus porque gostariamos de ocupar o seu lugar; mentimos a Deus, como se fosssemos capazes de enganar-lo. Então, quando você matou Abel, e quem são teus cúmplices?

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